segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Gilberto Miranda- Perfil

Filho de um tintureiro semi-analfabeto e de uma dona-de-casa com o primeiro ano primário, Gilberto Miranda nasceu em São José dos Campos (SP), em 1946. Garotão bonito, físico de atleta, ele chegou a Brasília em 1967 para tentar a vida. Arrumou emprego de professor de natação em uma escola pública de bom nome, CIEM. Fernando Collor de Mello e Paulo Octávio estudaram lá e foram seus alunos.

Entrou para uma faculdade particular, a única na época, o Ceub, e conseguiu diploma de bacharel em Direito. Em outro emprego, professor de natação do Iate Clube, conheceu um sujeito que mais tarde mudaria sua vida, Aloísio Campelo. Guardem esse nome que adiante ele entra em nossa história.

Praticante de artes marciais, Gilberto Miranda dava aulas de Natação durante o dia e trabalhava à noite como leão-de-chácara do restaurante Gaf, no Centro Comercial Gilberto Salomão, que se transformara em um badalado reduto de políticos, socialites e endinheirados.

Em virtude de uma queda de cavalo, o então Chefe do SNI, general João Figueiredo, sofria de dores intermináveis nas costas. No restaurante Gaf, ele ficou sabendo que o garboso leão-de-chácara também era um massagista de mão cheia. Gilberto começou a cuidar das dores lombares do general com técnicas de shiatsu, dando início a uma grande amizade.

Em 1973, Gilberto sacou sua carteirinha da OAB e anunciou que iria tentar a sorte grande no Rio ou São Paulo. “Vou arrumar um baú”, informou aos amigos, que caíram na gargalhada. Entenda-se por baú isso mesmo que vocês estão pensando: o mais do que manjado golpe do baú.

Chegou o bacharel primeiro ao Rio de Janeiro. Não deu certo. Mudou-se para São Paulo, onde o ajudou um antigo e rico amigo de piscinas olímpicas. Vivia ele de procurar no Diário Oficial empresários autuados pelo governo, INPS, Receita Federal, esses probleminhas menores. Detectada a presa, então se oferecia para resolver o assunto em Brasília, em contrato de risco.

Certo dia fechou um acerto com a Gentek. A empresa tinha mandado vir do Japão uma partida de contrabando de máquinas de calcular e os caixotes estavam detidos no depósito da Suframa, em Manaus.

Gilberto Miranda lembrou-se de que conhecia o chefão do órgão, o supracitado Aloísio Campelo, e foi lá tentar liberar a muamba, na maior cara-de-pau. Doutor Campelo gostava do rapaz e deu o toque: “Olha, quem fizer fábrica aqui em Manaus vai ficar rico”.

Com a frase na cabeça, Giba voltou para São Paulo com todo o contrabando legalizado sob o eufemismo de “mercadoria importada”. Logo depois, surgiu em sua vida um negociante, Mário Lander, representante no Brasil de uma indústria sueca de calculadoras, a Facit.

O hoje digníssimo empresário procurou-o para que apresentasse um projetozinho à Suframa para montar uma fábrica de calculadoras maquiadas. Era aquele tipo de empresa que queria importar tudo mais ou menos pronto, contratar uns peões para apertar uns parafusos e pregar a etiqueta “Made in ZFM”.

“Sabe, sei que o cara lá é seu amigo...”, insinuou Lander. Gilberto Miranda topou o desafio, com uma exigência. Não queria pagamento em espécie alguma. “Quero ser sócio”. Hoje ele conta: “Eu não tinha um puto no bolso. O cara foi embora e três dias depois voltou, aceitando o negócio”.

Foi isso que Gilberto Miranda fez a vida inteira. É disso que vive até hoje. Detecta indústria que estão a fim de montar fábricas em Manaus e consegue a liberação dos projetos em troca de participação acionária.

Conseguiu levar, segundo sua própria contabilidade, cerca de 250 empresas para a Zona Franca e aprovou uns 200 projetos. Vende as ações quando estão valorizadas e gasta a grana comprando bens de neo-pobres. Já foi sócio de Dílson Funaro, Mathias Machline e ainda é sócio de Mário Amato, entre outros.

Retornemos àquele início de vida. O general Figueiredo foi responsável por introduzir seu novo massagista particular no mundo empresarial paulista. Em 1974, outro fato relevante surgiu para alavancar nosso herói emergente: apareceu o “baú”.

Ele conheceu a socialite Ana Alicia Scarpa, filha de Don Nicolau Scarpa e prima do playboy Chiquinho Scarpa. Casou-se com a moça rapidinho e tratou de fazer de cara seus herdeiros. Nasceram duas meninas.

Nessa mesma época, ele também conheceu o jornalista e advogado Orestes Quércia, que acabara de deixar a Prefeitura de Campinas. Os dois montaram um escritório de advocacia na Avenida 9 de Julho, em São Paulo.

Quando o general Figueiredo assumiu a presidência, em 15 de março de 1979, a carreira de lobista de Gilberto Miranda começou a deslanchar. Seu escritório de advocacia foi encarregado de fazer a renegociação das dívidas que os grandes conglomerados industriais do País tinham com o extinto INPS.

Com carta branca para estabelecer novos prazos para pagamento parcelado das dívidas (50, 100, 150 ou 200 anos, com juros de pai pra filho), aquilo foi uma moleza semelhante a pescar em balde. Quando as renegociações terminaram, Miranda era um novo milionário.

Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito.

O senador declara possuir uma ilha em Ilhabela (5 milhões), uma casa de campo (5 milhões), duas casas no Jardim Europa (3,5 e 2 milhões), um jatinho Lear Jet 36 (2 milhões), quatro fazendas em São Paulo (preços incalculáveis), oito carros importados (1 milhão), parte menor de um patrimônio total de R$ 1 bilhão e faturamento anual de 600 milhões em cerca de 20 empresas.


Ainda nos anos 80, Gilberto Miranda começou a se interessar pela política local. Em 1986, ele foi primeiro suplente do candidato ao senado Carlos Alberto Di Carli, tendo investido R$ 2 milhões na campanha. Depois de eleito, Di Carli se licenciou durante 120 dias para que Gilberto Miranda assumisse o senado pela primeira vez.

Em 1990, quando Gilberto Mestrinho disputou o governo do Estado pela terceira vez, Gilberto Miranda foi escalado como primeiro suplente do ex-governador Amazonino Mendes, candidato ao Senado. Investiu R$ 4 milhões na campanha.

Quando Amazonino renunciou ao mandato, em 1992, para disputar a Prefeitura de Manaus, Gilberto Miranda assumiu a vaga e seis anos de mandato.

Em 1996, o ex-massagista era senador do PMDB e contavam com seu voto para eleger o peemedebista Íris Rezende presidente do Senado. Rezende disputava com Antonio Carlos Magalhães, do PFL.

De repente, sem que até hoje se saiba o porquê, Miranda bandeou-se para o PFL. Garantiu a vitória de ACM e caiu-lhe nas graças, até a morte do babalorixá baiano.

O senador sem voto foi relator do orçamento da união, do polêmico projeto Sivam e do novo Código Brasileiro de Trânsito. Teve atuação destacada na CPI dos Precatórios.

Foi dele o projeto que propôs a extinção dos juízes classistas e o que propõe a legalização dos jogos de azar, dois entre dezenas dos que apresentou.

Em 1998, Gilberto Miranda foi o segundo suplente do candidato a senador Gilberto Mestrinho (o primeiro era o ex-deputado federal João Thomé, filho de Mestrinho).

O empresário investiu R$ 5 milhões na campanha e por muito pouco o candidato petista Marcos Barros, ex-reitor da Ufam, não conquistou a vaga.

O derramamento de grana no interior para reverter o quadro (Marcos Barros havia colocado uma diferença de quase 100 mil votos em Manaus) até hoje ainda tira muita gente do sério.

Em novembro de 2004, Gilberto Miranda assumiu a cadeira de senador pelo Amazonas, em lugar do titular Gilberto Mestrinho (PMDB), que se licenciou por motivo de saúde até o dia 31 de março de 2005.

Miranda ocupou o lugar de Mestrinho porque o primeiro suplente, João Thomé Mestrinho, também se licenciou por motivos particulares. Aquela foi a terceira vez que Miranda assumiu uma cadeira no Senado sem ter tido um único voto.

De quase tudo em que o senador sem votos se meteu surgiram denúncias de interesses ocultos. No caso Sivam, Gilberto Miranda foi citado no diálogo grampeado entre o embaixador Júlio César Ferreira Gomes e o empresário José Affonso, dono da Líder e representante da Raytheon no Brasil.

Ambos reclamavam que o senador, alegando irregularidades, dificultava as coisas para a empresa americana. “Você já pagou para este cara?”, perguntou, na conversa gravada, o embaixador a José Affonso. O “cara” era Miranda, que negou tudo.

No caso dos precatórios, o senador foi citado como defensor dos interesses de Paulo Maluf e Celso Pitta, ex-prefeitos de São Paulo. Em troca, teria direito a ingerências na prefeitura na gestão Pitta.

Quando rompeu com o marido, Nicea Pitta citou Miranda. “Ele pressionava o Celso para que a prefeitura pagasse as dívidas da OAS, construtora do genro de Antonio Carlos Magalhães”, mantém Nicea até hoje.

O último imbróglio envolvendo Miranda foi o chamado dossiê Cayman – papelada falsificada sobre suposta empresa e depósitos em paraísos fiscais que seria uma sociedade entre os tucanos Sérgio Motta e Mario Covas, além do ministro José Serra e do presidente Fernando Henrique.

O dossiê começou a circular, clandestino, no fim da campanha eleitoral de 1998. Só veio à luz depois da eleição de Fernando Henrique. As primeiras citações a Miranda registram um suposto encontro com o advogado Marcio Tomaz Bastos, representante do PT (e ex-Ministro da Justiça do presidente Lula), quando teria exibido o dossiê.

O advogado teria convencido a direção do partido a não usar a papelada e teria prometido segredo sobre o encontro com Miranda, que negou qualquer envolvimento.


Em 2007, Gilberto Miranda se casou com a estilista Caroline Andraus Lane – sócia da grife de moda praia Beach Couture –, numa festa de arromba.

Os padrinhos eram ilustres personagens do cenário político nacional, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana Sarney, acompanhada pelo marido, Jorge Murad.

Entre os 300 exclusivíssimos convidados, o publicitário e apresentador Roberto Justus e a atriz Ticiane Pinheiro, a estilista Cris Barros, a modelo Mariana Weickert, o publicitário Nizan Guanaes e a empresária Donata Meirelles, o cantor Paulo Ricardo e a arquiteta Raquel Silveira e Marina Mantega, filha do ministro da fazenda Guido Mantega.

Naquele mesmo ano, a Fundação José Sarney recebeu R$ 300 mil de uma empresa de fachada, a KKW do Brasil, que representa duas “offshores” (firmas no exterior), com sedes na Inglaterra e no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Apesar de ter capital social de R$ 80 milhões (cifra de uma empreiteira de grande porte), a KKW não tem negócios visíveis, site ou sede própria.

Seus endereços e telefones correspondem aos da casa e do escritório de Gilberto Miranda em São Paulo, onde funcionam outras firmas atribuídas ao ex-senador, igualmente registradas (integral ou parcialmente) em nome de “offshores”.

As “offshores”, em especial as que têm sede em paraísos fiscais, são costumeiramente usadas para repatriar dinheiro que deixou o país de forma ilegal, em regra via doleiros.

Resumo da ópera: às vezes, ser um simples massagista pode transformar alguém em bilionário da noite pro dia. Basta que ele obtenha os contatos certos na hora certa. Comecem a aprender shiatsu, homeboys!

Gilberto Miranda - Porto Privativo

O notório Gilberto Miranda, ex-senador e empresário próximo de José Sarney, está empenhado em emplacar Ênio Soares na presidência da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Soares é atual chefe de gabinete de Fernando Fialho, atual número 1 da Antaq e indicado de Sarney.
Há duas semanas, um jantar em Brasília reuniu essa turma e Pedro Britto, ex-ministro dos Portos e hoje diretor da Antac, também ligado a Miranda. Discutiram o novo plano de expansão do Porto de Santos, que pode contemplar Gilberto Miranda com um porto privativo.

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/tag/gilberto-miranda/

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Adalberto Jr. fez fortuna emprestando a juros

O empresário Adalberto Salgado Júnior, de 49 anos, é apontado em Juiz de Fora como o homem de negócios mais bem sucedido da cidade. Ele chegou a ser dono da maior rede de postos de gasolina, mas fontes ouvidas pelo Estado contaram que 'Adalbertinho', como é conhecido, fez fortuna nos últimos 20 anos emprestando dinheiro a juros para empresários e comerciantes de tradicionais famílias de Juiz de Fora.
Salgado Júnior teria entrado no 'ramo' por influência do pai, no início da década de 1990. Atualmente, o foco de seus negócios é a área imobiliária. É considerado dono de boa parte dos imóveis localizados no centro comercial do município. Um influente político da região conta que é 'uma pessoa que está sempre buscando e obtendo bons negócios'. 'Mas o curioso é que ele não tem nenhuma grande empresa. Pelo menos que seja conhecida.'
Conforme moradores, o empresário costuma circular em carros de luxo, inclusive uma Ferrari. Apesar disso, é considerado discreto. Evita festas e eventos sociais, sendo mais visto em restaurantes. Em 2004, adquiriu uma cobertura na rua Rei Alberto, num prédio da região central, tido como o mais caro de Juiz de Fora, onde mora também o senador eleito e ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG).
No Rio de Janeiro, Salgado Júnior é dono de um apartamento na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, que teria sido adquirido no ano passado da família Sendas. O imóvel estava sendo reformado para ser vendido. O preço: cerca de R$ 30 milhões. O prédio de 17 andares é considerado no mercado um dos mais caros da capital fluminense.
A relação de 'Adalbertinho' com o Panamericano também é conhecida na cidade. Pessoas ouvidas pela reportagem afirmaram que ele vinha capitaneando aplicações no banco de Silvio Santos, incentivando familiares, funcionários e outros empresários a fazer o mesmo.
Conforme pesquisa no Tribunal de Justiça de Minas, na comarca de Juiz de Fora, Salgado Júnior responde a processo de execução fiscal movido pela Fazenda do município. Ele e a mulher aparecem também como réus em quatro processos movidos pela Petrobrás Distribuidora contra postos de gasolina dos quais são sócios. Procurado, o empresário não foi localizado por telefone. No apartamento de Juiz de Fora, uma funcionária disse que não sabia informar seu paradeiro.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Você nunca viu um banqueiro como este

Eugênio Holanda, que se uniu a Luiz Cezar Fernandes para comprar a operação brasileira do Dresdner Bank, é médico, fã do psicodrama, judeu convertido e - acima de tudo - polêmico

Eugênio Pacelli Holanda, de 45 anos, foge do estereótipo dos demais donos de banco no Brasil. Primeiro, porque nasceu no interior da Paraíba, numa das regiões mais pobres do país. Segundo, porque é médico, uma ave rara num mundo dominado por economistas, administradores e engenheiros. Sua trajetória no campo religioso também é fora do padrão. Holanda nasceu em uma família católica - seu nome do meio, Pacelli, é uma homenagem ao papa Pio XII -, mas na adolescência se converteu ao judaísmo "por uma inquietação espiritual". Entre seus gurus, nada de Adam Smith ou John Maynard Keynes, Jack Welch ou Jim Collins. Holanda tem como um de seus guias o romeno Jacob Levy Moreno, o papa do psicodrama - método que revive episódios traumáticos em forma de dramatização e que, algumas vezes, acaba em catarse. E, para completar, Holanda não segue o figurino de um típico banqueiro: na mão, no lugar de um BlackBerry, uma corrente de ouro. Quem o julga exótico pela aparência ou por suas preferências intelectuais corre o risco de não enxergar o essencial: até agora, Holanda mostrou que sabe ganhar dinheiro.
Junto com Luiz Cezar Fernandes, um dos fundadores dos bancos Pactual e Garantia, Holanda acabou de comprar a operação brasileira do banco de investimento alemão Dresdner Bank, rebatizado de MTT Banco. Fernandes entrou com a experiência e Holanda com os cerca de 100 milhões de dólares necessários para a aquisição - quantia que o ex-médico juntou em menos de dez anos. Filho de um professor universitário e de uma bordadeira, Holanda começou a exercitar cedo seu lado empreendedor. Durante a adolescência, foi trabalhar numa livraria para ter o próprio dinheiro. Quando se formou em medicina pela Universidade Federal da Paraíba, era dono de uma clínica em João Pessoa. Foi na década de 80 que o cirurgião paraibano, já morando no Rio de Janeiro, desistiu da carreira médica enquanto fazia um mestrado em administração pública na Fundação Getulio Vargas. Desde então, abraçou de vez a economia: trabalhou em uma gestora de recursos, foi consultor de empresas na época das privatizações e acabou se tornando diretor do BRJ, banco carioca de pequeno porte especializado em crédito imobiliário. "Sempre enfrentei preconceito na minha vida: você tem ideia do que é um médico ser diretor de banco? Eu era uma figura exótica", diz Holanda.
Há oito anos, quando deixou de ser diretor do banco BRJ, Holanda se especializou no mercado de títulos públicos federais ligados ao setor imobiliário. Seu trabalho, de maneira simplificada, era vasculhar no mercado contratos imobiliários fechados entre as décadas de 60 e 90 e garantidos por recebíveis do governo. O passo seguinte era transformar esses recebíveis em dinheiro para si próprio ou para instituições clientes. "É um nicho pouco explorado, pois é muito burocrático e limitado aos títulos já existentes, mas é lucrativo para quem sabe operar", diz Valderi Albuquerque, superintendente de negócios do banco Fator e ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A Tetto Habitação, empresa fundada em 2004 por Holanda, é apontada pelos poucos concorrentes como a maior administradora desse tipo de título, com cerca de 4 bilhões de reais sob gestão. O novo banqueiro já decidiu que vai se afastar do dia-a-dia da Tetto para dedicar-se ao MTT Banco. "O Eugênio tem o costume de focar naquilo que faz. Estuda tudo com uma precisão cirúrgica, daí seu sucesso", diz Vicente Ferreira, um de seus professores no MBA em finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
em sua trajetória, há ao menos um ponto polêmico. Dois profissionais ligados à Tetto são acusados pela Polícia Federal de ter transferido 200 000 reais em outubro de 2006 para contas de pessoas ligadas ao governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima - cassado em fevereiro por crime eleitoral. Meses antes, essas mesmas pessoas haviam adquirido as carteiras de crédito da Companhia Estadual de Habitação Popular e do Instituto de Previdência do Estado da Paraíba. Atualmente o processo se encontra no Tribunal de Contas da Paraíba e ainda não foi julgado. Perguntado sobre o assunto, Holanda negou qualquer ato ilegal por parte da Tetto. Suas energias agora, diz ele, estão todas centradas no mais novo desafio de sua história profissional: fazer do MTT uma referência do mercado na área de bancos de investimento. O sonho é transformar o banco numa grife com o charme e a força que já foram características do Garantia e do Pactual e ganhar com operações de reestruturação financeira de empresas e fusões e aquisições. Para muitos, repetir tais sucessos será uma tarefa quase impossível - mas quem disse que Holanda gosta de seguir o caminho mais fácil?

O dono do futebol

Com o crédito consignado, o BMG de Ricardo Guimarães se tornou o banco mais rentável do país. Mas há novos concorrentes nesse jogo, e as regras estão mudando. É aí que entram Atlético, Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco...

Ricardo Guimarães zapeava a televisão quando parou numa daquelas vigorosas peladas disputadas entre cabeças de bagre e pernas de pau. Estranhou o fato de o Duque de Caxias carregar no uniforme o logotipo do BMG, banco do qual é herdeiro, sócio e presidente. Não se lembrava de ter autorizado o patrocínio, embora até pudesse ser – financia tantas equipes de futebol, do ASA de Arapiraca ao Palmeiras, que podia lhe ter escapado o jovem time da Baixada Fluminense, fundado em 2005. Por via das dúvidas, consultou o responsável pelos contratos. Ouviu o seguinte: interessado em conseguir novos investidores, o Duque de Caxias estampara o logo por conta própria, fiando-se no poder de atração das três letrinhas laranjas que aparecem em nove das 21 camisas da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. A estratégia do clube deu certo, pelo menos nesse quesito. Na disputa da série B, o Duque de Caxias, com desempenho de fazer corar até a estátua do patrono do Exército (uma única vitória até o fechamento desta edição), desfila agora um patrocínio de verdade – do próprio Banco BMG.
O mineiro Ricardo Annes Guimarães, de 50 anos, é um atleticano fanático, o que, bem sabem os boleiros, constitui uma redundância. Mas “o banco”, ele diz, “não torce, não tem clube, faz negócio e quer visibilidade”. Por isso o BMG, além de ser o acionista único de um fundo de investimentos que tem jogadores em diversas equipes, patrocina não apenas o Galo, presidido por Guimarães entre 2001 e 2006, mas o rival Cruzeiro – e também América-MG, Flamengo, Vasco, São Paulo, Palmeiras, Santos e Coritiba, todos da divisão de elite do futebol brasileiro. Na série B, Sport Recife, Grêmio Prudente (SP), Icasa (CE) e Boa (MG), além de ASA (AL) e Duque de Caxias, já rebaixado e detentor de todos os recordes negativos da temporada. Na série C, patrocina Ipatinga e mais três. Na D, a linha da miséria do ludopédio nacional, um Plácido de Castro Futebol Clube (AC) e mais quatro. Descendo a ladeira, o banco ainda opera a exemplo dos chilenos, ajudando a resgatar do fundo do poço mineiros como Fluminense de Araguari, Araxá e Uberaba, o América do Rio e outros 11 fora de séries.
Maior patrocinador do futebol brasileiro, o BMG estampa o uniforme de 39 clubes, seja em patrocínios de maior envergadura, em que a marca aparece no peito e nas costas, ou nos mais comedidos, em mangas de camisa. A exposição de seu logotipo financia, ainda, três equipes da Superliga masculina de vôlei e duas da feminina; três times de basquete, entre eles o Flamengo; a ginasta Jade Barbosa; o lutador Vitor Belfort. E até o apresentador Otávio Mesquita, convertido em piloto da Copa Mercedes, para o bem da audiência. O investimento na chancela esportiva chega a R$ 60 milhões anuais, mais de 90% de tudo o que o banco de Belo Horizonte destina ao marketing e à propaganda. “O futebol é caro, mas se fôssemos divulgar a marca com todo esse destaque que nos permite aparecer no Fantástico, no Jornal Nacional, na capa dos principais jornais, não teria dinheiro que bastasse”, diz Flávio Pentagna Guimarães, acionista majoritário do BMG, presidente do conselho e pai de Ricardo Guimarães. Aos 83 anos, “doutor Flávio” faz parte da segunda geração dos banqueiros de Minas, que dominaram o setor desde as primeiras décadas do século passado até o final dos anos 60, fomentando um dos ditos populares que enaltecem a discreta esperteza do mineiro – “aquele que vende queijos e possui bancos”.
Graças ao crédito consignado, o BMG alcançou o primeiro lugar entre os 20 bancos
mais rentáveis. Um cenário que deve mudar já em 2012

No caso dos Pentagna Guimarães, a situação é mais complexa: são mineiros que possuem um banco mas tudo o que vendem é o crédito consignado a servidores públicos municipais, estaduais e federais, além de aposentados e pensionistas do INSS. Esse tipo de operação, que tem baixo risco de inadimplência porque desconta as parcelas devedoras diretamente da folha de pagamento, movimenta hoje no Brasil cerca de R$ 130 bilhões, gerados por pelo menos 60 instituições financeiras. Desse montante, R$ 23 bi foram emprestados pelo BMG – 18% do mercado, perdendo apenas para o Banco do Brasil. São números que o levaram ao primeiro lugar no ranking dos 20 bancos mais rentáveis sobre o patrimônio em 2010, segundo o anuário Valor 1000. E que conferem ao BMG perto de 10% de todo o crédito à pessoa física gerado hoje no país, independentemente de sua modalidade.
Essa maravilha de cenário deve começar a mudar em 2012, impondo ao BMG o desafio de abrir novas fronteiras de atuação – sob pena de ser engolido pela concorrência das grandes instituições bancárias. Mudanças nas regras do Banco Central vão aumentar os custos na concessão do crédito consignado, impactando especialmente as operações de expansão dos bancos médios. A maior fiscalização dos correspondentes bancários e “pastinhas”, que vendem o produto no consagrado modelo da Avon, é outro entrave para o BMG, que não possui agências. Ao mesmo tempo em que a legislação impõe obstáculos, os bancos maiores demonstram apetite novo para o consignado – que, embora menos rentável, é menos arriscado. Gigantes do setor têm aumentado a originação própria desse tipo de crédito, além de pagar comissões cada vez mais gordas aos correspondentes. Em outra ponta, investem pesado em tecnologia, de forma a permitir que o público contrate o empréstimo nas agências e nos caixas eletrônicos, eliminando a figura do intermediário. É o caso, por exemplo, do Bradesco, que opera 50 mil folhas de pagamento, entre funcionários do setor público e privado. “Se trabalharmos eficientemente essa matéria-prima”, diz Fernando Perrelli, diretor da Bradesco Promotora, “vamos atingir 20% do mercado em até três anos”.
“Até aqui, o BMG foi muito bem-sucedido em sua estratégia de atuação no mercado”, afirma o ex-diretor do Unibanco Ricardo Mollo, professor de Finanças Corporativas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e especialista no setor bancário. “No entanto, a concentração quase exclusiva de sua atividade no consignado gera pelo menos dois efeitos negativos: o aumento do risco e a perda da oportunidade de fidelização do cliente, que só encontra outros produtos na concorrência.” Atento a isso, o BMG saiu às compras: no primeiro semestre deste ano, adquiriu o Banco Schahin e a GE Money do Brasil; há dois meses, anunciou uma parceria com a Icatu Seguros. São movimentos que abrem caminho para a diversificação. A partir do primeiro semestre de 2012, o banco passa a oferecer cartões de crédito, empréstimos convencionais a pessoas físicas, seguros e financiamento de veículos usados. “O consignado continuará sendo nosso principal produto”, diz Ricardo Guimarães, “mas esperamos que a médio prazo represente no máximo 70% dos negócios.”
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Na convocação de Mano para os jogos com a Argentina, em setembro, havia pelo menos cinco jogadores ligados ao banco, não propriamente ao de reservas: Réver (Atlético-MG), Dedé (Vasco), Danilo (Santos), Paulinho e Ralf (Corinthians). No lado adversário, Montillo (Cruzeiro). Atletas como Herrera (Botafogo), Willian e Leandro Castán (Corinthians) também são do BMG
 
A estratégia do futebol Foi justamente pensando na diversificação de seus produtos que o BMG resolveu, antes de qualquer coisa, vestir a camisa do futebol – com o patrocínio, adivinhe!, do Atlético-MG a partir de janeiro de 2010. “Lá atrás, isso já era parte da estratégia que hoje está sendo consolidada. A penetração que conseguimos com o consignado nos oferecia a base para crescer. Mas faltava o conhecimento da marca para além do funcionário público e do aposentado”, diz Guimarães. “Agora, quando o sujeito vir nosso cartão de crédito, vai dizer ‘ah, o BMG eu conheço’, e isso é graças ao futebol. São as três letrinhas laranjas, cor essa que todo time quer mudar mas a gente não aceita de jeito nenhum.”
Uma série de pesquisas da consultoria independente Sport+Markt, que monitora estratégias de investimento no marketing esportivo em todo o mundo, dá conta da eficiência do modelo de patrocínio pulverizado adotado pelo BMG. Em julho de 2009, o banco aparecia em 92º lugar num ranking de marcas associadas espontaneamente ao futebol brasileiro. Em março deste ano, chegou à 4ª posição, superando tradicionais investidores do esporte, como Adidas, Brahma, Skol, Coca-Cola, Petrobras, Fiat e Batavo. “O futebol é o meio mais rápido e eficiente de uma marca se tornar conhecida”, afirma Eduardo Rezende, sócio e vice-presidente comercial de produtos da Brunoro Sport Business (BSB). “Se a empresa quer ter uma atuação massiva, grandes equipes são imprescindíveis. Aliar isso ao patrocínio de pequenos clubes é uma maneira inteligente de trabalhar o marketing, conferindo importância a regiões específicas e falando diretamente ao coração de seus habitantes.” Rezende intermediou o contrato de patrocínio firmado entre Santos e BMG no início do ano.
No mercado do patrocínio de futebol, camisas de grandes clubes são mídias cada vez mais cobiçadas. Diferentemente do que acontecia até meados dos anos 2000, há um número crescente de empresas interessadas em atrelar sua marca ao esporte. “Antes, os clubes eram um manancial de problemas. Havia desde atrasos de salários e disputas trabalhistas até casos de polícia”, diz Ricardo Guimarães, com a experiência de quem presidiu o Atlético em fase turbulenta, quando o time acabou rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro. “Diante dessa situação, as empresas ficavam temerosas.” É bem verdade que a administração da maioria dos clubes de futebol, tanto hoje como ontem, não faz inveja a nenhum botequim. Mas aspectos como a proibição da venda de bebidas nos estádios, a instalação de assentos ainda que chinfrins nas arquibancadas e a punição ao clube que permitir o chinelo de dedo na cabeça do adversário vieram trazer um mínimo de civilidade às arenas. Alie-se a isso a implantação do Estatuto do Torcedor, a escolha do Brasil como sede da Copa em 2014, a valorização dos direitos de transmissão dos jogos pela TV, o crescimento econômico – tudo concorre para o que Ricardo Guimarães chama, com boa vontade e alguma licença poética, de “enobrecimento” do futebol. O resultado disso se fez sentir no preço das camisas ofertadas aos patrocinadores. Durante sua gestão no Galo, Guimarães assinou seu melhor patrocínio com outro atleticano, o empresário Rubens Menin, dono da construtora MRV. O valor que o BMG paga hoje ao Atlético, apenas cinco anos depois, é 600% maior.
Balanço 1: Refém do consignado, o BMG busca a diversificação dos negócios. Para se tornar conhecido, vestiu primeiro a camisa de 39 clubes de futebol.
   Reprodução
 
Com um pé no futebol, por que não os dois? Em meados do ano passado, os sócios do BMG criaram o fundo de investimentos Soccer BR1, para operar a compra e venda de jogadores. Tinham em mente não apenas a necessidade de diversificação dos negócios do banco, mas a percepção de que o futebol brasileiro ainda vai se valorizar muito mais nos próximos anos. “Tem a ver também com o fato de que a gente gosta de futebol”, diz Ricardo Guimarães, “e acha que entende um pouco do assunto”. O BMG é cotista único do fundo, no qual investiu até agora perto de R$ 50 milhões. Não é dono sozinho do direito econômico de nenhum dos 60 jogadores que “possui” – seu modelo de negócio privilegia as participações, nunca superiores a 50%. Dessa forma, garante o interesse de outros sócios na venda do atleta, incluindo prioritariamente o clube onde ele atua. “Não adianta investir 100%”, afirma Guimarães, “porque, na hora de vender, o cartola diz: ‘Poxa, vou criar um desgaste com a torcida e não vou levar nada?’ Aí, faz de tudo para barrar a negociação”.
Com os jogadores em que tem participações, o BMG poderia montar uma seleção brasileira . Segundo Guimarães, o fundo tem “60% de atletas reconhecíveis por alguém que entende um pouco de futebol e 40% de jovens apostas”. Até agora, o banco já negociou 13 jogadores, com retorno médio 60% superior ao valor pago na compra. Do Cruzeiro, o BMG vendeu Gil e Henrique. Do Corinthians, Dentinho e Elias. “É mais ou menos como ação em bolsa de valores”, diz Guimarães. “Se um jogador aumenta o valor e você não realiza, pode perder a oportunidade.” O bom desempenho do fundo até aqui credencia o BMG a administrar o dinheiro de novos acionistas. “Estamos sendo estimulados pelo gestor a captar recursos. Isso significa abrir o fundo à participação de investidores qualificados, o que devemos fazer no próximo ano.”
  Unimed e Fluminense, em larga escala
O investimento na compra e venda de jogadores é feita hoje por meio de fundos como o Soccer BR1. Os grandes players desse mercado no Brasil são a Traffic, de J. Hawilla, e a DIS, de Delcir Sonda, dono da rede de supermercados Sonda. São grupos que não se veem como concorrentes – são muitas vezes sócios na composição do direito econômico do atleta. Para Ricardo Guimarães, “a Traffic é o modelo a ser observado”, embora o pai da matéria, o uruguaio Juan Figer, revele que “a operação para colocar Ronaldinho Gaúcho no Flamengo causou a J. Hawilla um prejuízo do qual será difícil se recuperar”.
Aos 78 anos, Figer continua na ativa como um dos maiores negociadores do futebol mundial. No passado, vendeu Klinsmann, Gullit, Lineker, Sócrates, Careca, Vialli, Dunga, Kaká, Robinho. Chegou a oferecer Diego Maradona, então com 15 anos, à Portuguesa de Desportos. Tem agora a missão de vender Neymar, “mas ele só sai do Santos depois da Libertadores de 2012”. Sua expertise no negócio diz que “fundos como o do BMG só conseguem sucesso se seus operadores tiverem grande conhecimento jurídico-desportivo, técnico e financeiro”. Para Eduardo Rezende, da BSB, o calcanhar de Aquiles desse mercado é justamente o que sobra a um banco, a estratégia financeira. “Essa parte”, ele diz, “é tratada com amadorismo por muitos investidores”. Rezende vê o ingresso do BMG no futebol como a repetição, em larga escala, do modelo adotado pela Unimed com relação ao Fluminense – ao mesmo tempo que patrocina a equipe, investe em seus jogadores. “Até agora, a atuação do BMG é promissora. Especialmente porque não incorre no erro que faz degringolar qualquer negócio desse tipo, que é a imposição de atletas do fundo à equipe patrocinada.”
“Em nosso modelo de negócio, o clube descobre o atleta, abre a negociação, e só nessa etapa nos convida a participar”, afirma Ricardo Guimarães. A partir daí, a proposta é levada a um comitê composto por seis pessoas: Guimarães, o vice Márcio Alaor de Araújo e quatro profissionais de mercado. O grupo faz sondagens externas, analisa o perfil do jogador, projeta sua valorização. Atletas na faixa dos 30 anos não interessam, motivo pelo qual não há dinheiro do BMG em craques recentemente repatriados, como Adriano, Fred e Ronaldinho. Uma pergunta-chave define a participação do banco no negócio: existe mercado para o jogador na Europa? A resposta nem sempre tem a ver com a qualidade técnica do atleta, e sim com o tipo de futebol que se pratica hoje no Velho Continente. “O jogador pode ser um grande craque, mas se for lento seu mercado na Europa se restringe”, diz Juan Figer. Um exemplo: “Paulo Henrique Ganso”.
Balanço 2: Na trilha da diversificação, o BMG é cotista único de um fundo de investimentos com participação em 60 jogadores. Um negócio com retorno superior a 60%.

No grupo BMG, os negócios extra-campo vão de pato a ganso. O banco concentra 60% do patrimônio familiar, embora tome 99% da força de trabalho dos Pentagna Guimarães. Flávio, o patriarca, é um interessado prospector de novas oportunidades sustentáveis. Aos 83, poderia dedicar-se a estar sentado em cima do dinheiro que herdou e ajudou a multiplicar – como de fato está, ao estilo Tio Patinhas, em um imaginativo folder interno do banco , em que a diretoria é retratada numa grande caricatura. Diferentemente disso, o doutor Flávio está lidando com moinhos de vento, literalmente e ao custo de R$ 299 milhões. Fruto do seu trabalho, o grupo saiu vitorioso de um leilão para a construção de quatro parques de energia eólica no Nordeste – dois no Ceará, dois no Rio Grande do Norte. Juntos, irão fornecer 330 mil MWh (megawattshora) por ano a partir de julho de 2014. O consórcio Famosa, formado pelo BMG e pela empresa de projetos Ventos Tecnologia, tem participação de 51% no negócio. Furnas, 49%.
A energia eólica é um mercado em ampla expansão no Brasil – tome-se por base a diferença entre os empréstimos liberados pelo BNDES para a instalação dos parques em 2010, R$ 649 milhões, e a projeção de fechamento desses números para 2011, na casa dos R$ 4,5 bilhões. Hoje, a energia eólica representa menos de 1% da matriz de geração nacional. Em 2014 esse percentual deverá ser de 5%. Os quase R$ 300 milhões que serão investidos pelo BMG nos parques do Nordeste correspondem ao maior investimento do grupo no ano que vem. “Nosso negócio é o banco. Em segundo lugar, esses novos projetos, como os parques de energia eólica e um fogão que meu pai desenvolveu junto com um cientista”, afirma. “Os outros negócios da família, queremos apenas tocar, não são para crescer nem disputar mercado.”
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Aos 83 anos, doutor Flávio, como é chamado no banco, tem se dedicado à inovação. E nesse afã arrematou a patente de um fogão a lenha capaz de armazenar energia, que pode ser usada para ligar eletrodomésticos ou lâmpadas. Cerca de 400 unidades do BMGLux já atendem seringueiros do Acre. Grupos indianos negociam a importação do equipamento
  E tem esses outros negócios aí...
Entenda-se por esses “outros negócios”, relegados a um terceiro plano, investimentos antigos feitos pela família nos setores imobiliário, industrial e agropecuário. No último, o grupo BMG atua desde os anos 70, em fazendas que exploram uma área total de 100 mil hectares dedicados prioritariamente à produção de grãos e ao desenvolvimento de pastagens na Bahia e em Minas Gerais. Contam 10 mil cabeças de gado de corte da raça nelore e 1,6 milhão de pés de café do cerrado, de alta qualidade. Se o interlocutor quiser saber mais sobre as fazendas, verá que Ricardo Guimarães tem certa dificuldade em enumerá-las e localizá-las no mapa. Não passa férias em nenhuma delas.
No campo industrial, os Pentagna Guimarães são donos da Brasfrigo e da Damp Electric. A primeira atua no ramo de alimentos em conserva – derivados de tomate, sopas, caldos e maionese. Num setor dominado principalmente pela Unilever, tem cerca de 6% do mercado nacional, onde vende as marcas Jurema, Jussara, TerraBella, Tomatino, Twist, Yep! e Tomate Pronto. A Damp Electric é uma aquisição recente – fabrica torres para linhas de transmissão de energia elétrica. Se o banco carece de uma maior diversificação, este não é o caso do resto do grupo. A Metal Company Brasil, outro de seus empreendimentos, distribui e vende produtos siderúrgicos e têxteis, de bobinas laminadas e chapas grossas a produtos de cama, mesa e banho que restaram da companhia Ferreira Guimarães. A fábrica de tecidos, que pertencia à família e faliu, é aquela do célebre comercial de TV dos anos 80 – que pode ser visto no Youtube “com aquela locutora de voz cavernosa que deve ter assustado muita criança”.
No setor imobiliário, o patrimônio acumulado pela família remonta à figura de Antônio Mourão Guimarães, o Totônio – filho do coronel Benjamin Ferreira Guimarães, pai do doutor Flávio e avô de Ricardo, que é a cara e a careca dele, uma coisa impressionante. Fundador do Banco de Minas Gerais (a sigla só passaria a nome oficial em 1963), Totônio era médico formado na Alemanha e um desacreditado comprador de terras. Pelo menos foi esta a carapuça que lhe serviu quando convocou o coronel seu pai para conhecer os 30 hectares que tinha acabado de adquirir nas redondezas de Belo Horizonte, numa região conhecida à época como Lagoa Seca. Ao ver toda aquela extensão de terra vermelha e pedregosa, onde não brotava sequer um ramo de braquiária, Benjamim Guimarães disse: “Totônio do céu, pelo amor de Deus, vende esse negócio para o primeiro que aparecer porque isso aqui não serve pra nada”. Totônio morreu em 1965 sem ter desfeito o negócio – ao contrário, comprara outras fazendas no entorno da cidade. Já com o nome de Belvedere, a Lagoa Seca começou a ser loteada por seus filhos a partir dos anos 70. Hoje é um dos bairros mais exclusivos de BH. Com exceção de dois irmãos de Ricardo, toda a família vive no Belvedere. Se os Pentagna Guimarães não fossem banqueiros, estariam ricos apenas com o dinheiro que fizeram – e ainda fazem – negociando as terras vermelhas e pedregosas que o Totônio comprou.
Quem primeiro começou a desenvolver o patrimônio da família foi Benjamin Ferreira Guimarães, mineiro de Bom Sucesso, tropeiro e comerciante de tecidos que certo dia resolveu fabricá-los por conta própria. Mudou-se então para Valença, no interior do Rio de Janeiro, onde montou a primeira fábrica da Ferreira Guimarães, em 1906. Seu amigo Vito Pentagna trilhou o mesmo caminho, fundando a companhia têxtil Santa Rosa. Do casamento de variados(as) Pentagnas com variados(as) Guimarães, nasceu o Totônio. Que foi parar em Belo Horizonte para tratar uma tuberculose, e de lá não mais saiu. Juntando amigos e parceiros, fundou o Banco de Minas Gerais em 1930, imitando os mineiros Clemente Faria (Banco da Lavoura, depois Real e Bandeirantes) e João Moreira Salles (Unibanco). No final dos anos 60, o BMG tinha cerca de 150 agências espalhadas pelo Brasil, ante 300 do Bradesco. Em 1974, deixou de operar o atendimento a correntistas, vendendo agências e carteira de clientes para o Real. Conforme os anos iam correndo, o núcleo familiar de Flávio, então presidente do banco, comprava dos primos e demais sócios suas partes no negócio. Hoje, perto de 99% da sociedade está dividida entre Flávio, seus quatro filhos e três netos. Os descendentes de amigos e parceiros do Totônio têm 1%.
Xico Buny
 

Príncipe saudita compra participação de US$ 300 milhões nos negócios do Twitter

O príncipe saudita Walid bin Talal (foto), bilionário conhecido por investir nas principais companhias do mundo, adquiriu uma participação de US$ 300 milhões no microblog Twitter, conquistando mais espaço no mercado da mídia global. Sobrinho do rei Abdullah, Bin Talal já possui 7% do conglomerado News Corp. e planeja fundar um canal de TV a cabo. Sua fortuna foi estimada pela revista Forbes em mais de US$ 19 bilhões. O investimento no Twitter - que possui mais de 100 milhões de usuários - representa 3% do capital do site e dá continuidade à expansão dos negócios do príncipe nos Estados Unidos, onde o saudita já investe no Citigroup, na General Motors e na Apple.

Alwaleed Bin Talal Alsaud

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Príncipe Al-Waleed bin Talal bin Abdul Aziz Al-Saud, em árabe الوليد بن طلال بن عبد العزيز آل سعود, (Riade, 7 de Março de 1955) é um bilionário e empresário saudita e membro da família real saudita. O príncipe Alwaleed é neto do fundador da Arábia Saudita, o rei Abdul Aziz Alsaud, e do primeiro primeiro-ministro do Líbano moderno, Riad El-Solh. É ainda sobrinho do rei Fahd, da Arábia Saudita. Segundo a renomada revista Forbes sua fortuna em 2010 é estimada em $19,4 bilhões fazendo do príncipe árabe o 19º homem mais rico do mundo.
Alwaleed Bin Talal Alsaud fez os seus estudos superiores nos Estados Unidos e em 1979 tirou um bacharelado em Ciência em nível de Administração Financeira. Seis anos depois tornou-se mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Siracusa, situada em Nova Iorque.
Após ter concluído os seus estudos regressou à Arábia Saudita e começou a investir nos setores da construção e de propriedades. Os seus investimentos deram resultado e começou a multiplicar a fortuna, tendo então formado, em Riad, a Kingdom Holding Company. O príncipe foi ainda o responsável pela introdução no mundo árabe das comunicações sem fio e um dos empresários mais ativos na operação de instalar o comércio eletrônico proporcionado pela Internet na mesma região.
Entretanto, o príncipe expandiu o seu negócio para além do mundo árabe e tornou-se acionista importante em empresas internacionais como a AOL Time Warner, a Apple, a Pepsi, a Kodak, a Euro Disney, a Motorola e a Planet Hollywood.
Em Julho de 1997 resolveu investir na Palestina na área da construção, principalmente na Faixa de Gaza. Na mesma altura ajudou a fundar a Companhia de Desenvolvimento e Investimento de Jerusalém para aí ajudar a fomentar a presença palestina através de projetos de habitação e acolhimento. Desenvolveu vários projetos beneficenes na Arábia Saudita e recebe semanalmente pessoas necessitadas para depois as poder ajudar.
A forte ligação do príncipe saudita com os Estados Unidos ficou bem patente com a sua visita aos destroços das torres gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Alwaleed Alsaud fez uma doação de dez milhões de dólares para ajudar a reconstruir o local. No entanto, o prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani devolveu o dinheiro depois do príncipe ter dito que o Governo dos Estados Unidos da América deviam reexaminar a sua política para com o Médio Oriente.
O famoso Airbus A380 (maior avião comercial do mundo) feito sob encomenda para um "bilionário árabe" é dele.

Os novos magnatas do petróleo

Conheça as estratégias de empresários como Antônio Augusto de Queiroz Galvão, Márcio Rocha Mello e Eike Batista para sair na frente na corrida pela exploração das reservas bilionárias na América Latina e África

Na manhã gelada de 24 de janeiro em Nova York, o bilionário brasileiro Eike Batista fez uma provocação ao encontrar Márcio Rocha Mello, dono da HRT Participações e seu concorrente na área de petróleo, no hall do luxuoso hotel New York Palace.
– Você precisa produzir aquele óleo que você prometeu, né, Márcio? – disse o irreverente Batista.
– Vou produzir antes de você, Eike – respondeu Mello.
– Não acredito – replicou o dono da OGX.
 
Ambos estavam nos Estados Unidos para atrair investidores para seus negócios com o ouro negro, a nova fronteira de riqueza do Brasil no século XXI. A pressão sobre os dois e suas empresas bilionárias no mercado para começar a entregar o petróleo prometido aumentou na semana passada com a estreia de uma nova concorrente na bolsa de valores, a Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP). 
 
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Márcio Rocha Mello, da HRT: campos na Amazônie e África e expectativa para
próximas rodadas de licitação da Agência Nacional do Petróleo
 
A companhia, baseada no Rio de Janeiro, captou R$ 1,5 bilhão em seu IPO (oferta pública inicial) e chegou ao mercado já como a quarta maior produtora do País, atrás apenas da Petrobras e das multinacionais Shell e Chevron. 
 
A empresa detém 45% do campo de Manati, na bacia de Camamu, no litoral da Bahia, que produz 50 mil barris de óleo equivalente por dia e participa de oito blocos exploratórios, incluindo reservatórios no pré-sal, nas Bacias de Santos e Jequitinhonha.
 
Com a chegada da QGEP à bolsa valendo quase R$ 5 bilhões, as três petroleiras privadas brasileiras já atingem capitalização de mercado de nada menos de R$ 70 bilhões. 
 
Em outras palavras: as novatas empresas dos magnatas do petróleo brasileiro, Eike Batista, Márcio Mello e família Queiroz Galvão já correspondem a 20% da gigantesca Petrobras, criada há mais de meio século. 
 
E mais: esse clube de empresários poderosos só tende a crescer nos próximos dez anos, com os investimentos previstos em US$ 600 bilhões para o setor petrolífero no período.
 
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Novatas, mas não exatamente inexperientes. “Nossa experiência no setor antecede em muito a criação da companhia. Prestamos serviços há 30 anos para a cadeia de óleo e gás e estamos na exploração há quinze”, disse o presidente da QGEP, Antônio Augusto de Queiroz Galvão, na cerimônia que marcou a estreia de suas ações, realizada na Bovespa, no centro velho da capital paulista, na última quarta-feira, 9. 
 
O grupo Queiroz Galvão, dono da quarta maior construtora do País e com atuação em setores como rodovias, energia, siderurgia e agronegócio, foi fundado em 1953, em Recife. 
 
Hoje, tem cerca de 30 mil empregados e fatura mais de R$ 7 bilhões por ano. Com sua nova aposta, tende a crescer ainda mais. “Um grupo empresarial que conhece o Brasil há tanto tempo não poderia ficar de fora deste momento tão promissor da indústria de óleo e gás, notadamente a descoberta do pré-sal”, afirmou o empresário.
 
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Ipo da OGX em 2008: lançada como um projeto, está sendo cobrada a entregar resultados
 
Nos documentos entregues aos investidores, a QGEP informa que usará o dinheiro arrecadado no IPO para a compra de participações em blocos de exploração nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. 
 
Embora a cotação do barril de petróleo esteja acima de US$ 100, a Queiroz Galvão captou menos do que os R$ 1,8 bilhão inicialmente previstos, em decorrência do nervosismo do mercado internacional diante da crise no Egito. Nesse ambiente, captar R$ 1,5 bilhão já é um sucesso.
 
A QGEP é pequena em reservas, comparada às concorrentes: tem 345 milhões de barris de óleo equivalente em recursos riscados (ajustados pela probabilidade de sucesso), enquanto a OGX tem reservas estimadas em 6,7 bilhões de barris e a HRT, em cerca de 1,5 bilhão. 
 
As reservas da Petrobras somam cerca de 15 bilhões, mas esse número poderá dobrar quando forem incorporadas as gigantescas reservas da camada pré-sal. Extrair todo esse óleo e comercializá-lo é tarefa para gigantes. 
 
No melhor estilo da elite das empreiteiras, os donos da Queiroz Galvão falam pouco. Antônio Augusto, presidente do conselho de administração do grupo, é filho do patriarca Antônio Queiroz Galvão, que fundou a empresa com os irmãos Mário, João e Dario. 
 
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Engenheiro formado pela Universidade Federal de Pernambuco, tem cursos de especialização em petróleo no Texas e na Louisiana, nos Estados Unidos. É chamado pelo presidente da QGEP, José Augusto Fernandes, de “grande chefe e líder”. A estreia na bolsa reforçou seu estilo low profile.
 
Quando a HRT captou R$ 2,6 bilhões em sua oferta de ações, em novembro do ano passado, Marcio Mello levou passistas e músicos da escola de samba Beija Flor ao pregão da Bovespa. 
 
Nada mais distante da discretíssima cerimônia da Queiroz Galvão: Antônio Augusto chorou ao agradecer aos pais e à esposa, que estavam presentes. A trilha musical estava a cargo de um singelo grupo de chorinho. “Eles são muito mais contidos nas apresentações aos investidores”, diz um dos assessores financeiros do empresário. 
 
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Abertura de capital da HRT: A empresa levantou R$ 2,6 bilhões e deve captar outros R$ 500 milhões em Warrants
 
Monossilábico, Antonio Augusto não concorda em ser chamado de novo magnata do petróleo brasileiro e economiza até a palavra “não” ao ser questionado pela DINHEIRO sobre seu novo status – apenas faz um meneio com a cabeça. Gentil, não dá entrevista, mas concorda em posar para as fotos desta reportagem. 
 
Lidar com as demandas de uma empresa de capital aberto será um dos principais desafios para o grupo, que tem uma cultura conservadora, mesmo para os fechados padrões das grandes construtoras. 
 
Enquanto a OGX e, principalmente, a HRT se colocam como concorrentes da Petrobras, a Queiroz Galvão diz que uma de suas maiores vantagens competitivas é seu “bom relacionamento com a Petrobras”. No entanto, alguns analistas consideram que essa proximidade é, na verdade, um problema, porque torna a QGEP mais dependente da estatal.
 
Ao menos protocolarmente, a chegada da QGEP foi bem recebida pela concorrência. “Acho ótimo ter concorrentes na bolsa. O mercado é agressivo e punitivo e, assim como cobra resultados da gente, vai cobrar deles também”, disse o magnata por excelência Eike Batista, em entrevista à DINHEIRO na quinta-feira, 10. 
 
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Numa teleconferência na véspera – não por acaso o mesmo dia da estreia da Queiroz Galvão na Bovespa – Batista anunciou que a OGX começa a produzir petróleo em agosto, num poço de alta produtividade em águas rasas da Bacia de Campos. 
 
“Nós passamos no nosso teste de São Tomé”, afirmou, referindo-se ao anúncio de que o poço Waimea Horizontal tem vazão de 40 mil barris de petróleo por dia, um dos mais altos índices de produtividade da Bacia de Campos. 
 
O custo de extração do barril é baixíssimo, de US$ 8, porque o poço fica em águas rasas – um motivo e tanto para comemorações. “Hellooo!! Teremos uma margem altíssima e no ano que vem a geração de caixa será de US$ 1 bilhão”, afirmou Batista, rebatendo as críticas mais comuns do mercado às suas empresas: de que elas não geram caixa. Por enquanto, a OGX está no vermelho. O prejuízo foi de R$ 84,7 milhões nos primeiros nove meses do ano passado.
 
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Queiroz Galvão Exploração e produção: Valor de mercado de R$ 5 bilhões 
 
Sempre otimista, o empresário continua com grandes planos. A OGX deve ser listada em Londres até o segundo semestre do ano, para permitir o ingresso de investimentos de fundos de pensão estrangeiros que hoje não podem comprar os papéis da empresa. 
 
A empresa já chegou a valer mais de R$ 70 bilhões na bolsa, mas recuou para R$ 57 bilhões em meados de fevereiro. Só neste ano, os papéis recuaram 10%, refletindo a decepção com o fato de Batista não ter concluído a venda de participações em seus poços de petróleo a investidores estratégicos, o que estava previsto para o fim do ano passado. 
 
Batista diz que continua negociando com muitos grupos, mas não tem data para fechar negócio. Ele credita a perda de valor de mercado a “rumores” que envolveriam sua saúde e uma eventual debandada de executivos do grupo. Isso ocorreu depois da demissão do presidente da OGX, Rodolfo Landim, em 2009.  
 
Rocha Mello, que desafiou Batista em Nova York, tem sido mais precavido e, desde que a HRT abriu capital, em novembro passado, tenta mostrar que o início da produção de petróleo está próxima. 
 
“No plano de negócios prometemos produção só em 2012, mas estamos antecipando para este ano”, disse Rocha Mello à DINHEIRO. A HRT prevê chegar ao fim do ano com produção entre 500 e 5 mil barris diários, em cinco poços na bacia do Solimões, na Amazônia. 
 
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O modelo de negócios da HRT é autônomo: a empresa faz questão de ser a operadora dos campos e por isso não deve disputar o pré-sal brasileiro, que será operado exclusivamente pela Petrobras. 
 
“Com o conhecimento e a operação, você tem controle do seu destino”, afirma Rocha Mello. Além da participação de 51% em 21 poços da bacia do Solimões, a HRT controla outros cinco na Namíbia. 
 
“Somos focados na Bacia do Solimões e na África. Queremos disputar as próximas rodadas da Agência Nacional do Petroleo (ANP) fora do pré-sal, e crescer na Namíbia, Congo e Angola”. Ele também pretende listar sua companhia em bolsas do Exterior, começando pelo Canadá em 2012.
 
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Exímio vendedor, Rocha Mello é um geólogo formado numa carreira de 24 anos na Petrobras, onde recebeu o apelido de Mr. Go Deeper por ter escrito artigos científicos já no ano 2000 apontando a possibilidade de depósitos abaixo da camada de sal. 
 
Foi o fundador do primeiro laboratório de geoquímica da estatal. Segundo ele, o investimento na África faz todo sentido. “Os continentes são análogos, é possível encontrar reservas de pré-sal na Namíbia e em Angola”, afirma. Há quem veja com cautela essa opção. Rocha Mello rebate as críticas. “A Namíbia é uma das democracias mais estáveis da África.”
 
A modéstia, aliás, não é seu forte: Rocha Mello costuma dizer, escandindo todas as sílabas, que sua empresa será a maior companhia independente do mundo e que já no ano que vem terá valor de mercado de R$ 30 bilhões. E compara seu estilo de administração ao do fundador da Apple, Steve Jobs. 
 
“Eu me meto em tudo aqui na companhia, mas de uma maneira produtiva e não destrutiva.” Até agora, tem conseguido convencer o mercado. A HRT é a única empresa do setor a subir na bolsa neste ano:  4,5%. 
 
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Mas tanta euforia em torno do petróleo não será passageira, tendo em vista os investimentos crescentes em energia renovável e as limitações de emissões negociadas internacionalmente? Especialistas e a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmam que não. 
 
“A participação do petróleo na matriz energética mundial deverá continuar elevada por muito tempo, assim como os preços”, afirma o analista de petróleo da consultoria Tendências, Walter de Vito. 
 
Em seu último relatório, a AIE prevê que a era do petróleo barato acabou. Em 2035, prevê, o preço do barril de petróleo deverá oscilar entre US$ 90 e US$ 140, dependendo das políticas adotadas contra a emissão de carbono.
 
São esses dados que entusiasmam os investidores. A próxima onda de empresas que devem vender ações na bolsa é a de prestadoras de serviços para a cadeia de óleo e gás. Uma delas é a Petroserv, que atua em equipamentos e distribuição de petróleo. 
 
A Odebrecht Óleo e Gás, braço do grupo Odebrecht no setor, chegou a avaliar a venda de ações na bolsa, mas desistiu depois de receber US$ 400 milhões do fundo soberano Temasek, de Cingapura. 
 
Nos EUA, as companhias de serviços representam 35% da capitalização no setor petrolífero. Na Noruega, 80%. Aqui, menos de 5%. Se depender das novas apostas dos magnatas do petróleo, o cenário promissor vai se concretizar.