sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Discreta Mulher brasileira se torna a 3ª pessoa mais rica do país

A viuva do fundador da Construtora Camargo Correa, Dirce Carmargo, foi apontada pelo ranking elaborado pela Bloomberg como a 3ª pessoa mais rica do país; primeiro lugar na lista que contempla apenas mulheres. Dona Dirce, controla o conglomerado Camargo Correa  possui uma fortuna avaliada em R$ 26,3 bilhões que tem entre seus ativos empresas de cimento, energia e a fabricante das sandálias Havaianas. Seu patrimônio líquido é estimado em US$ 13,1 bilhões, colocando-a na 59ª posição entre as pessoas mais ricas do mundo, de acordo com o Índice Bloomberg de Bilionários. Ela não aparece em nenhum outro ranking de fortunas.. A matriarca conseguiu desbancar o banqueiro Joseph Safra, dono de uma fortuna de R$ 21 bilhões e também figurou como 59ª em lista de bilionários ao redor do mundo.
A construtora Camargo Corrêa foi fundada em 1939, e é controlada pela holding Morro Vermelho. As ações são divididas entre as três filhas de Sebastião Camargo.
Ainda na lista, Eike Batista continua em primeiro lugar, com R$ 42,7 bilhões, seguido por Jorge Paulo Lemann, da cervejaria Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev, com R$ 37,2 bilhões.

Quando Sebastião Camargo morreu em 1994, ele já fazia parte do pequeno grupo de bilionários brasileiros e era reconhecido por seu papel na construção de hidrelétricas e rodovias no país após a Segunda Guerra Mundial. A fortuna de sua viúva só cresceu desde então, com o país despejando dinheiro em projetos de infraestrutura em preparação para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Este ano, o grupo gastou quase 3 bilhões de euros (R$ 7,6 bilhões) na compra de 95 por cento da Cimpor- Cimentos de Portugal SGPS, sediada em Lisboa.

Transporte de areia
A assessoria de imprensa da empresa disse que Dirce Camargo controla a fortuna da família e se recusou a fazer comentários sobre seu patrimônio pessoal. Joseph Safra, que tem US$ 10,4 bilhões, é dono da quarta maior fortuna do país, de acordo com o Índice Bloomberg de Bilionários. Eike Batista permanece como número 1, com US$ 21,1 bilhões, seguido por Jorge Paulo Lemann, da Anheuser-Busch InBev, com US$ 17,4 bilhões.
Entre os investimentos da família Camargo em empresas de capital aberto estão uma fatia de 26 por cento na distribuidora CPFL Energia SA, avaliada em US$ 2,8 bilhões; uma participação de 17 por cento na concessionária de rodovias CCR SA, avaliada em US$ 2,6 bilhões; e uma participação majoritária na fabricante de calçados Alpargatas SA, avaliada em US$ 1,1 bilhão. Carro- chefe do grupo, o braço de construção -- atualmente envolvido na construção das usinas de Belo Monte e Jirau na região Amazônica -- gerou aproximadamente 30 por cento da receita total de R$ 17,3 bilhões do grupo no ano passado.

Nascido em 1909, Sebastião Camargo começou a transportar areia nas costas de jegues ainda em sua adolescência. Abriu uma empresa de construção em 1939 com dois sócios, de quem a família Camargo acabou comprando as participações mais tarde. A empresa conquistou contratos do governo para construção de rodovias e ferrovias na década seguinte. Nos anos 1950, a companhia participou da construção de Brasília.

Vacas gordas"
O empresário, que recebeu o diploma honoris causa da Escola Superior de Guerra em 1967, diversificou as atividades da empresa para a produção de cimento. Foi um período de “vacas gordas” para o investimento público, de acordo com Fleischer. A Camargo Corrêa assumiu projetos de infraestrutura cada vez maiores, como o metrô de São Paulo, a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói.
“O grande progresso do Brasil foi no governo militar”, afirmou Camargo à Folha de S.Paulo em dezembro de 1990.
Nos anos 70, Camargo trabalhou na expansão do grupo pela América Latina. O general Leônidas Pires Gonçalves contou ao Museu da Pessoa, de São Paulo, que Camargo uma vez pediu sua ajuda para garantir a assistência do governo brasileiro para mediar uma disputa trabalhista em um projeto na Venezuela. O general concordou. Na volta da democracia em 1985, ele foi nomeado Ministro do Exército.
Legado em "concreto"
Os negócios de Camargo continuaram prosperando sob o regime democrático. Durante a onda de privatização da década de 1990, a companhia comprou a CPFL e arrematou concessões para operação de rodovias que foram mais tarde reunidas na CCR. Sebastião Camargo comandou o grupo até sua morte em 1994, quando o controle passou para sua esposa, Dirce.
“Sebastião ousou. Ousou sempre”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2002, em discurso na hidrelétrica de Tucuruí, outro projeto da Camargo Corrêa. “E o resultado da sua ousadia está plantado em concreto pelo Brasil afora.”
Hoje, a Camargo Corrêa continua tendo apoio do governo. Empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social representam cerca de 24 por cento da dívida do grupo, de acordo com José Vertiz, diretor de finanças corporativas para América Latina da Fitch Ratings.
Gestores profissionais
Dirce Camargo atuou brevemente como presidente do conselho após a morte do marido. A companhia hoje é comandada por administradores profissionais, como o presidente Vitor Hallack. Dois genros do fundador fazem parte do conselho: Carlos Pires Oliveira Dias e Luiz Roberto Ortiz Nascimento. O terceiro genro, Fernando Arruda Botelho, morreu em um acidente aéreo em abril.
O braço de construção é o maior ativo do grupo após os investimentos em empresas de capital aberto, que somam US$ 9,5 bilhões. No ano passado, a unidade apresentou receita de R$ 5,2 bilhões e lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização de R$ 166 milhões. A divisão está avaliada em US$ 2,2 bilhões, com base no valor do empreendimento-Ebitda de quatro empresas do setor com capital aberto: a peruana Grana y Montero SAA, a chilena Besalco SA, a China State Construction International Holdings Ltd. e a Arabtec Holding Co., de Dubai.


Excluindo a Cimpor, que tem ações negociadas em bolsa, o faturamento do grupo com cimento chegou a US$ 1,1 bilhão em 2011. Com base no valor do empreendimento-vendas da Cimpor e quatro companhias do ramo -- a colombiana Cementos Argos SA, a mexicana Cemex SAB, a PT Holcim Indonesia Tbk e a indiana Ultratech Cement Ltd. --, a fatia privada da divisão de cimento está avaliada em US$ 1,3 bilhão.

Construção naval
As operações de construção naval do grupo tiveram receita de R$ 609 milhões, Ebitda negativo de R$ 449 milhões e prejuízo de R$ 188 milhões no ano passado. A unidade está avaliada em US$ 250 milhões, com base no valor do empreendimento-vendas de quatro armadores de Cingapura: Nam Cheong Ltd., JES International Holdings Ltd., Yangzijiang Shipbuilding Holdings Ltd. e STX OSV Holdings Ltd.
Um desconto de liquidez de 5 por cento foi aplicado a cada uma das unidades de capital fechado. Foi somado um passivo de US$ 3,2 bilhões ao balanço patrimonial da Camargo para refletir a dívida líquida total do conglomerado, de acordo com a estimativa contida em um relatório de Vertiz, da Fitch, de junho de 2012.
Campos de golfe
A Camargo Corrêa divulgou lucro líquido somado de mais de US$ 4,2 bilhões só na última década, de acordo com seus relatórios anuais. Com base no dividendo estatutário de 15 por cento do lucro líquido e ajustando para o desempenho estimado no mercado e o custo de vida, a família provavelmente tem mais de US$ 3 bilhões em dinheiro, imóveis e outros ativos fora do grupo, segundo o Índice Bloomberg de Bilionários. Isso inclui diversos campos de golfe perto de São Paulo, de acordo com reportagem da revista Veja, de julho de 2002. A família também é dona de uma fazenda no Mato Grosso.
Nas eleições presidenciais de 2010, a Camargo Corrêa foi uma das maiores doadoras para as duas campanhas. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o grupo doou por meio de suas unidades pelo menos R$ 15 milhões ao PT e ao PMDB e R$ 8,5 milhões ao PSDB.
“É uma divisão de apostas”, disse Fleischer, da Universidade de Brasília. “Todos esses governos precisam de projetos de construção, seja regime militar ou regime civil. Eles não têm nenhuma ideologia.”

O vendedor que veste crianças e fatura 220 milhoes por ano

Nos anos 80, o empreendedor catarinense Salésio Martins abandonou o jornalismo para montar uma pequena tecelagem. Hoje, ele é dono da Kyly, fabricante de roupas infantis que faturou mais de 220 milhões de reais no ano passado

Há pouco mais de duas décadas, o catarinense Salésio Martins, hoje com 63 anos, tomou uma decisão que mudaria o rumo de sua vida. Ele trabalhava como repórter e dava aulas de português quando decidiu comprar dois teares usados e montar uma pequena tecelagem.

Eu tinha três filhas pequenas, acumulava dois empregos e, com a ajuda de minha mulher, Claudete, procurava um meio de aumentar a renda da família", diz Martins. Aquela foi a origem da Kyly, fabricante de roupas infantis de Pomerode, no interior catarinense. No ano passado, a empresa faturou mais de 220 milhões de reais, 10% acima de 2010.
Neste depoimento a Exame PME, Martins conta como foi sua trajetória até aqui e quais são seus planos para o futuro.
"Nasci em Major Gercino, uma cidadezinha no interior catarinense. Mu­dei para Blumenau na juventude. Fiz faculdade de letras e, antes de ser empreendedor, ganhei a vida como jornalista. Fui repórter em jornais e rádios de Blumenau nos anos 70 e 80. Na época, também dava aulas de português e redação em escolas da cidade.
Minha mulher, Claudete, cuidava da casa e de nossas filhas, mas sempre procurava um modo de ajudar a pagar as contas. Foi assim que ela comprou uma máquina de costura para fabricar roupas que depois vendia diretamente aos consumidores.
Um dia, em 1985, fui cobrir um incêndio no depósito de algodão de uma indústria têxtil para o jornal em que trabalhava. Acabei entrando num depósito onde havia um tear desativado. Naquele momento, pensei que seria bom ter uma máquina como aquela. Imaginei que poderia produzir malhas de boa qualidade a um custo mais baixo do que minha mulher comprava para costurar.
Algum tempo depois, numa festa na casa de um cunhado, conheci um rapaz que trabalhava na Hering, que já era uma grande empresa na época. Ele cuidava da manutenção de teares. Contei meus planos de abrir uma pequena tecelagem e que estava à procura de um tear usado para comprar. Dias depois ele me ­ligou para dizer que a Hering esta­­va ven­dendo dez teares pequenos. Compramos duas das máquinas e nos tornamos sócios.

A tecelagem se tornou um bom negócio, e minha mulher parou de costurar. Fabricávamos o tecido na garagem de casa e o vendíamos para donos de pequenas confecções. Como no começo havia poucos clientes, incentivei meu pai a investir numa confecção em sociedade com meus irmãos e me comprometi a fornecer o tecido.

A empresa, que se chamava na época Martins Malhas, não deu muito certo e a fábrica de meu pai acumulou dívidas. Um ano e meio depois, eu e meu sócio assumimos o negócio. Foi só então que larguei os empregos como jornalista e professor para me dedicar à empresa. Mais tarde rebatizamos o negócio de Kyly.
No início, fazíamos um pouco de tudo - roupas para adultos e crianças, malhas masculinas e femininas. Blumenau já era conhecida como um polo da indústria têxtil. Muitos compradores de grandes redes de lojas de São Paulo e do Rio de Janeiro vinham para a região em busca de fornecedores.
Foi assim que conquistamos grandes clientes daquela época, como Mappin e Mesbla. Eles desenvolviam as próprias coleções e nos pediam para produzi-las. A empresa era bastante enxuta, e por isso podíamos atender os grandes clientes com preços competitivos.
Em 1988, com apenas 3 anos, a Kyly havia crescido a ponto de não caber nas modestas instalações que alugávamos em Blumenau. Por isso, comprei um terreno maior numa cidade vizinha, Pomerode, onde construí um galpão industrial para abrigar a fábrica. A malharia foi transferida para a nova sede no dia 18 de julho de 1988.
Era para ser um momento feliz, mas acabou deixando uma lembrança triste - meu pai infartou e morreu enquanto dançava na festa de inauguração.
Eu e Claudete tivemos quatro filhas. As mais velhas são Taciane, de 37 anos, e Carine, de 32. Elas começaram a trabalhar na Kyly quando ainda eram adolescentes, no começo dos anos 90. Achava importante que se envolvessem com o negócio. Desde muito cedo elas demonstraram vocação para lidar com marketing e criação.

Depois de trabalhar um tempo na loja de fábrica que mantínhamos, Taciane começou a atender os compradores dos grandes clientes. Sempre que chegava um pedido de uma nova coleção, ela entrava em contato para tirar dúvidas ou pedir esclarecimentos sobre o trabalho. Às vezes, Taciane sugeria modificações e apontava alternativas para melhorar as peças ou diminuir os custos.

À medida que ganhou experiência, Taciane passou a criar as próprias coleções. As roupas infantis que ela desenhava faziam o maior sucesso com os clientes. Percebemos que, para a Kyly, era um bom negócio. Crianças crescem rápido e precisam renovar o guarda-roupa com mais frequência do que os adultos.
Além disso, havia menos concorrência na moda infantil e dava para incluir peças de valor mais alto nas coleções, com estampas, bordados e costuras especiais. No final da década de 90, já havíamos parado de produzir coleções para adultos.
A Kyly, com peças de cores fortes e vibrantes, ganhou mercado rapidamente no varejo multimarcas de roupas infantis. Eu enxergava uma oportunidade para vender também no exterior, principalmente em mercados como França e Espanha, mas havia um empecilho - na Europa, a preferência é por roupas infantis de cores mais sóbrias e menos chama­tivas. Por isso, decidimos criar uma segunda marca, a Milon, que seguia a tendência europeia.
Lançamos a Milon há seis anos, e fiquei surpreso com os resultados. Havia um grande mercado para a marca no Brasil, formado por mães que não gostam de vestir os filhos com cores chamativas. Nos últimos anos, a Milon cresceu aceleradamente e hoje já representa mais de 40% do faturamento da empresa.
Desde o começo, mantive uma loja de fábrica para vender parte da produção diretamente ao consumidor. Com a Milon, achei que era hora de aumentar a presença da marca no varejo. Por isso, em 2010, comecei a abrir lojas da Milon em shopping centers. Hoje, a rede tem 17 unidades, e outras 13 serão abertas até o fim do ano. Por enquanto, todas as lojas são próprias. No futuro, pretendo expandir com uma rede de franquias, mas ainda não chegou o momento.
Anos atrás, meu primeiro sócio saiu do negócio. Eu e um de meus irmãos compramos sua participação. Deixei o dia a dia da Kyly em 2010, quando a empresa completou 25 anos. Passei o comando para um executivo que trabalhou comigo durante sete anos. Infelizmente, os resultados não apareceram conforme o previsto. Meu relacionamento com o presidente ficou desgastado e, há pouco mais de um ano, ele saiu da empresa.
A mudança não poderia ter dado certo mesmo. Não preparei a empresa adequadamente para a transição. Decidi não voltar. Minha filha Taciane, que era diretora de marketing, assumiu o comando. Agora, vamos fa­zer uma nova tentativa de profissionalizar o negócio. Recentemente, formalizamos um acordo de acionistas que determina qual é o papel da família e o dos administradores.
Estou criando um conselho de administração, formado por mim, meu irmão e três membros independentes. Nosso papel será definir as estratégias e acompanhar o trabalho de um novo presidente, que estamos selecionando no mercado. Taciane voltará para a área de marketing, que é a sua especialidade.
Minha segunda filha, Carine, também trabalha na Kyly. Ela é responsável pela gestão das marcas e das lojas. As duas irmãs mais novas estão seguindo caminhos independentes e não trabalham na empresa. Desde que saí do comando da Kyly, tenho me dedicado a tocar novos negócios. Tenho uma indústria química que produz insumos para tinturaria. Também sou sócio de uma fábrica de cimento. Não vou parar de trabalhar. Como empreendedor, acho que ainda tenho muito para construir. "

Fonte: Revista Exame PME

De vendedor de rua a 220 milhoes de reais/ano de faturamento

Ex-vendedor, Eloy Tuffi deixou as ruas para abrir uma escola de inglês. Hoje é dono da Microcamp, rede que deve faturar 220 milhões de reais neste ano

Nos últimos 35 anos, o paulistano Eloy Tuffi já foi distribuidor de meias, vendedor de enciclopédias e dono de uma discoteca em Campinas. "Fiz um pouco de tudo, mas a maioria dos negócios que abri na minha juventude não deu certo", diz ele. "Precisei recomeçar do zero tantas vezes que até fui chamado de pau de sebo, porque eu subia, subia e depois caía."

Foi como dono de escolas de idiomas e de informática que Tuffi encontrou o rumo do crescimento. Aos 60 anos, hoje ele é dono da Microcamp, uma rede formada por 160 unidades, das quais quase dois terços são franqueadas. Nesta entrevista a Exame PME, Tuffi conta um pouco de sua trajetória como em­preendedor e quais são seus planos para o futuro.
" Muita gente pensa que meu sobrenome é árabe. Na verdade, sou des­cendente de italianos. Nasci na Mooca e me criei no Tatuapé, dois bairros paulistanos tradicionalmente ocupados por famílias de origem italiana. Sou o mais velho de seis irmãos. Meu pai revendia roupas e meias para comerciantes da rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Todos os anos, no auge do verão, ele procurava as fábricas e comprava um montão de meias de lã para revender. Aprendi com ele que meia de lã se compra no verão para vender no inverno.
Comecei a trabalhar com meu pai aos 16 anos. Ainda era jovem e achei muito difícil conciliar trabalho e estudos. Ao completar o que hoje é o equivalente ao ensino médio, decidi sair do colégio. Meu pai era um ótimo negociante e me ensinou muita coisa que jamais aprenderia na escola. Havia apenas um problema: eu trabalhava e ele ficava com o dinheiro. Então achei melhor deixar o negócio da família e fui trabalhar como vendedor por conta própria.
Dos 18 aos 23 anos, trabalhei vendendo livros para editoras e distribuidoras e cursos de inglês para uma escola da Mooca. Nessa escola aprendi de tudo, menos a falar inglês. Vendia os cursos, coordenava a equipe comercial, comprava e vendia o ma­terial didático. Quando compreendi como o negócio funcionava, resolvi abrir minha própria escola de inglês. Convidei o rapaz que fazia as apostilas da escola em que trabalhava para ser meu sócio. Na época, eu tinha 24 anos.
Minha estratégia era cobrar preços acessíveis para conquistar mais alunos. Em menos de um ano, as salas de aula estavam lotadas e abri uma filial no bairro paulistano de Pinheiros. As coisas só não estavam completamente tranquilas porque isso criou uma desavença com meu antigo patrão — não ajudava muito o fato de ter aberto minha escola no mesmo prédio em que ele tinha a dele.

Resolvi que, para evitar problemas, iria para longe. Fechei as escolas de São Paulo e me mudei para Campinas. A cidade crescia, havia universidades em expansão e achei que existia uma boa oportunidade para crescer com escolas de idiomas. Eu estava certo. Nos dois anos seguintes, ganhei muito dinheiro em Campinas.

No final de 1978, decidi mudar de ramo. Naquele ano, o filme Os Embalos de Sábado à Noite, com o John Travolta, fez um enorme sucesso. Aquilo me contagiou e botei na cabeça que me tornaria um empresário da noite. Vendi minha parte na sociedade nas escolas de inglês e abri uma discoteca em Campinas, a Mai Tai. O negócio fracassou e, em menos de dois anos, perdi o dinheiro que havia investido.
Comecei a repensar minha trajetória e, em 1980, voltei para São Pau­lo. Abri uma nova escola de inglês, o ne­gócio em que havia me dado melhor. Para vender o curso, visitava as escolas e pedia aos professores um tem­pinho da aula para apresentar o programa aos alunos. Um dia, acompanhando meu irmão mais novo ao colégio onde ele estudava, vi uma cena bastante curiosa. Havia mais de 200 estudantes aglomerados em torno de alguns microcomputadores recém-comprados pela direção da escola.
Na época, a informática era uma grande novidade. Fiquei maravilhado. Vi no interesse daqueles jovens uma oportunidade. Procurei um fornecedor e encomendei dez computadores. Fiz um acordo de pagar em parcelas, porque o investimento era alto. Coloquei as máquinas na escola de inglês e criei o "curso de computadores" - achei que, se chamasse de "curso de informática", um termo então pouco conhecido, as pessoas não entenderiam do que se tratava.
Fui a um colégio tradicional de São Paulo, onde estudavam aproximadamente 4.000 alunos, oferecer o novo curso. Saí de lá com 400 matrículas. Era mais do que eu vendia em um ano para os cursos de inglês. Comprei outros 40 microcomputadores e, em pouco tempo, já tinha quatro escolas de informática em funcionamento. O crescimento foi muito rápido e os cursos de inglês acabaram se tornando um negócio secundário.
Em 1985, tive uma crise de estresse e pifei. Não dei conta de acompanhar o crescimento da empresa. Enfrentei também muitos problemas pessoais. Meu médico me aconselhou, então, a me mudar para o interior, um lugar mais tranquilo.

Decidi voltar a morar em Campinas. Deixei os negócios de São Paulo para meu sócio cuidar. Foi quando adotei a marca Microcamp. Em Campinas, mesmo trabalhando muito, consegui levar uma vida mais equilibrada e me recuperei. Pouco tempo depois, comecei a abrir filiais em cidades do interior e do litoral de São Paulo, como Ribeirão Preto, Santos, Jundiaí, São José do Rio Preto e Limeira.  

Em Campinas, casei de novo, e minha segunda esposa, a Marlene, foi trabalhar comigo. Ela me incentivou a abrir franquias para acelerar a ex­pansão. Transformar a empresa numa ­rede de franquias foi meu grande desafio, porque eu não acreditava nesse modelo de negócios. Meu estilo era muito centralizador. Queria que as pessoas fizesse tudo do meu jeito. Mas, se não abrisse as franquias, perderia mercado para os concorrentes.
Vendi a primeira unidade franqueada da Microcamp em 1994. Atual­mente, a empresa tem 100 escolas franqueadas e 60 unidades próprias em 16 estados brasileiros. Temos mais de 120.000 alunos em mais de 60 cursos na área de informática, além do inglês e do espanhol.
A maioria dos alunos frequenta as aulas à noite e nos fins de semana, porque nossos cursos são profissionalizantes. As escolas estão quase todas localizadas próximas de gran­des comércios, muitas delas na pe­riferia, onde mora o público da Microcamp, formado por gente que está correndo atrás de uma oportu­nidade no mercado de trabalho por meio do estudo.
Recentemente, criei uma nova marca, a McTech, especializada em cursos para o sistema operacional Mac OS, da Apple. Seu público é formado por profissionais liberais, executivos e técnicos. A McTech está no nome dos meus quatro filhos: Davi, de 37 anos, Daniela, de 35, Danilo, de 30, e Nathália, com 20. Três deles já trabalham na empresa e a caçula ainda faz faculdade. Eles vão tocar o novo negócio, que deve chegar a 50 franquias até o fim deste ano. Não tenho participação nenhuma na McTech­ — vou apenas supervisionar no início. Meu negócio é a Microcamp, de onde não pretendo me afastar.
Acredito que existem três tipos de empreendedor. Há aquele que nasce para fazer coisas novas e comandar um negócio. Existe o técnico, cuja força está em saber planejar e executar. E há ainda o persistente, que não tem dom nem é bom de planejamento, mas não desiste nunca. Acho que sou uma mistura do primeiro com o terceiro tipo.
Há 35 anos inaugurei uma das primeiras escolas de informática no Brasil. Agora pretendemos fazer algo parecido com a McTech: desbravar um novo mercado. Nesses anos todos, aprendi que é preciso investir no que você conhece e dá mais lucro."

Fonte: Portal Exame - Revista PME

quarta-feira, 7 de março de 2012

Investidor Lirio Parisotto estreia entre os mais ricos do mundo.

O fundador da fabricante de DVDs Videolar, Lírio Parisotto fez sua estreia na lista dos mais ricos da Forbes. Um dos maiores investidores individuais da Bovespa, Lírio abocanhou a 601ª colocação da lista com uma fortuna estimada em 2,4 bilhões de dólares.
A Forbes atribui a maior parte da riqueza do gaúcho à sua participação de 86% no fundo Geração Futuro L Par, cujo patrimônio gira em torno de 1,4 bilhão de dólares.
Lírio também é conhecido por priorizar boas pagadoras de dividendos no mercado acionário. Entre seus demais ativos, também estão investimentos imobiliários em São Paulo.

Trajetória com Açoes

Filho de agricultores, Lírio amargou algumas decepções com a bolsa antes de começar a embolsar dinheiro. E muito dinheiro. Com apenas 18 anos, o investidor recebeu um Fusca como prêmio em um concurso de monografias organizado pelo Exército. Encantado com a alta das ações, investiu na renda variável e perdeu tudo em pouco tempo.
Como empresário já estabelecido no ramo de eletrodomésticos, Parisotto voltou a aplicar na bolsa. O prejuízo foi de 200.000 dólares. A virada aconteceu no início dos anos 90, quando Lírio investiu o equivalente a 1 milhão de dólares. Em cerca de um ano, multiplicou a fortuna por quatro e comprou a participação do sócio na Videolar.
No auge do crash do mercado em 2008, Parisotto perdeu quase 1 bilhão dos 1,6 bi em reais que tinha em ações. Desta vez, aproveitou a baixa para aumentar sua posição. Atravessou a crise e saiu dela ainda mais rico.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Gilberto Miranda- Perfil

Filho de um tintureiro semi-analfabeto e de uma dona-de-casa com o primeiro ano primário, Gilberto Miranda nasceu em São José dos Campos (SP), em 1946. Garotão bonito, físico de atleta, ele chegou a Brasília em 1967 para tentar a vida. Arrumou emprego de professor de natação em uma escola pública de bom nome, CIEM. Fernando Collor de Mello e Paulo Octávio estudaram lá e foram seus alunos.

Entrou para uma faculdade particular, a única na época, o Ceub, e conseguiu diploma de bacharel em Direito. Em outro emprego, professor de natação do Iate Clube, conheceu um sujeito que mais tarde mudaria sua vida, Aloísio Campelo. Guardem esse nome que adiante ele entra em nossa história.

Praticante de artes marciais, Gilberto Miranda dava aulas de Natação durante o dia e trabalhava à noite como leão-de-chácara do restaurante Gaf, no Centro Comercial Gilberto Salomão, que se transformara em um badalado reduto de políticos, socialites e endinheirados.

Em virtude de uma queda de cavalo, o então Chefe do SNI, general João Figueiredo, sofria de dores intermináveis nas costas. No restaurante Gaf, ele ficou sabendo que o garboso leão-de-chácara também era um massagista de mão cheia. Gilberto começou a cuidar das dores lombares do general com técnicas de shiatsu, dando início a uma grande amizade.

Em 1973, Gilberto sacou sua carteirinha da OAB e anunciou que iria tentar a sorte grande no Rio ou São Paulo. “Vou arrumar um baú”, informou aos amigos, que caíram na gargalhada. Entenda-se por baú isso mesmo que vocês estão pensando: o mais do que manjado golpe do baú.

Chegou o bacharel primeiro ao Rio de Janeiro. Não deu certo. Mudou-se para São Paulo, onde o ajudou um antigo e rico amigo de piscinas olímpicas. Vivia ele de procurar no Diário Oficial empresários autuados pelo governo, INPS, Receita Federal, esses probleminhas menores. Detectada a presa, então se oferecia para resolver o assunto em Brasília, em contrato de risco.

Certo dia fechou um acerto com a Gentek. A empresa tinha mandado vir do Japão uma partida de contrabando de máquinas de calcular e os caixotes estavam detidos no depósito da Suframa, em Manaus.

Gilberto Miranda lembrou-se de que conhecia o chefão do órgão, o supracitado Aloísio Campelo, e foi lá tentar liberar a muamba, na maior cara-de-pau. Doutor Campelo gostava do rapaz e deu o toque: “Olha, quem fizer fábrica aqui em Manaus vai ficar rico”.

Com a frase na cabeça, Giba voltou para São Paulo com todo o contrabando legalizado sob o eufemismo de “mercadoria importada”. Logo depois, surgiu em sua vida um negociante, Mário Lander, representante no Brasil de uma indústria sueca de calculadoras, a Facit.

O hoje digníssimo empresário procurou-o para que apresentasse um projetozinho à Suframa para montar uma fábrica de calculadoras maquiadas. Era aquele tipo de empresa que queria importar tudo mais ou menos pronto, contratar uns peões para apertar uns parafusos e pregar a etiqueta “Made in ZFM”.

“Sabe, sei que o cara lá é seu amigo...”, insinuou Lander. Gilberto Miranda topou o desafio, com uma exigência. Não queria pagamento em espécie alguma. “Quero ser sócio”. Hoje ele conta: “Eu não tinha um puto no bolso. O cara foi embora e três dias depois voltou, aceitando o negócio”.

Foi isso que Gilberto Miranda fez a vida inteira. É disso que vive até hoje. Detecta indústria que estão a fim de montar fábricas em Manaus e consegue a liberação dos projetos em troca de participação acionária.

Conseguiu levar, segundo sua própria contabilidade, cerca de 250 empresas para a Zona Franca e aprovou uns 200 projetos. Vende as ações quando estão valorizadas e gasta a grana comprando bens de neo-pobres. Já foi sócio de Dílson Funaro, Mathias Machline e ainda é sócio de Mário Amato, entre outros.

Retornemos àquele início de vida. O general Figueiredo foi responsável por introduzir seu novo massagista particular no mundo empresarial paulista. Em 1974, outro fato relevante surgiu para alavancar nosso herói emergente: apareceu o “baú”.

Ele conheceu a socialite Ana Alicia Scarpa, filha de Don Nicolau Scarpa e prima do playboy Chiquinho Scarpa. Casou-se com a moça rapidinho e tratou de fazer de cara seus herdeiros. Nasceram duas meninas.

Nessa mesma época, ele também conheceu o jornalista e advogado Orestes Quércia, que acabara de deixar a Prefeitura de Campinas. Os dois montaram um escritório de advocacia na Avenida 9 de Julho, em São Paulo.

Quando o general Figueiredo assumiu a presidência, em 15 de março de 1979, a carreira de lobista de Gilberto Miranda começou a deslanchar. Seu escritório de advocacia foi encarregado de fazer a renegociação das dívidas que os grandes conglomerados industriais do País tinham com o extinto INPS.

Com carta branca para estabelecer novos prazos para pagamento parcelado das dívidas (50, 100, 150 ou 200 anos, com juros de pai pra filho), aquilo foi uma moleza semelhante a pescar em balde. Quando as renegociações terminaram, Miranda era um novo milionário.

Há 30 anos, possuía um Passat e um patrimônio de US$ 10 mil. Foi quando abriu sua primeira empresa em Manaus. De lá para cá, sua vida mudou muito.

O senador declara possuir uma ilha em Ilhabela (5 milhões), uma casa de campo (5 milhões), duas casas no Jardim Europa (3,5 e 2 milhões), um jatinho Lear Jet 36 (2 milhões), quatro fazendas em São Paulo (preços incalculáveis), oito carros importados (1 milhão), parte menor de um patrimônio total de R$ 1 bilhão e faturamento anual de 600 milhões em cerca de 20 empresas.


Ainda nos anos 80, Gilberto Miranda começou a se interessar pela política local. Em 1986, ele foi primeiro suplente do candidato ao senado Carlos Alberto Di Carli, tendo investido R$ 2 milhões na campanha. Depois de eleito, Di Carli se licenciou durante 120 dias para que Gilberto Miranda assumisse o senado pela primeira vez.

Em 1990, quando Gilberto Mestrinho disputou o governo do Estado pela terceira vez, Gilberto Miranda foi escalado como primeiro suplente do ex-governador Amazonino Mendes, candidato ao Senado. Investiu R$ 4 milhões na campanha.

Quando Amazonino renunciou ao mandato, em 1992, para disputar a Prefeitura de Manaus, Gilberto Miranda assumiu a vaga e seis anos de mandato.

Em 1996, o ex-massagista era senador do PMDB e contavam com seu voto para eleger o peemedebista Íris Rezende presidente do Senado. Rezende disputava com Antonio Carlos Magalhães, do PFL.

De repente, sem que até hoje se saiba o porquê, Miranda bandeou-se para o PFL. Garantiu a vitória de ACM e caiu-lhe nas graças, até a morte do babalorixá baiano.

O senador sem voto foi relator do orçamento da união, do polêmico projeto Sivam e do novo Código Brasileiro de Trânsito. Teve atuação destacada na CPI dos Precatórios.

Foi dele o projeto que propôs a extinção dos juízes classistas e o que propõe a legalização dos jogos de azar, dois entre dezenas dos que apresentou.

Em 1998, Gilberto Miranda foi o segundo suplente do candidato a senador Gilberto Mestrinho (o primeiro era o ex-deputado federal João Thomé, filho de Mestrinho).

O empresário investiu R$ 5 milhões na campanha e por muito pouco o candidato petista Marcos Barros, ex-reitor da Ufam, não conquistou a vaga.

O derramamento de grana no interior para reverter o quadro (Marcos Barros havia colocado uma diferença de quase 100 mil votos em Manaus) até hoje ainda tira muita gente do sério.

Em novembro de 2004, Gilberto Miranda assumiu a cadeira de senador pelo Amazonas, em lugar do titular Gilberto Mestrinho (PMDB), que se licenciou por motivo de saúde até o dia 31 de março de 2005.

Miranda ocupou o lugar de Mestrinho porque o primeiro suplente, João Thomé Mestrinho, também se licenciou por motivos particulares. Aquela foi a terceira vez que Miranda assumiu uma cadeira no Senado sem ter tido um único voto.

De quase tudo em que o senador sem votos se meteu surgiram denúncias de interesses ocultos. No caso Sivam, Gilberto Miranda foi citado no diálogo grampeado entre o embaixador Júlio César Ferreira Gomes e o empresário José Affonso, dono da Líder e representante da Raytheon no Brasil.

Ambos reclamavam que o senador, alegando irregularidades, dificultava as coisas para a empresa americana. “Você já pagou para este cara?”, perguntou, na conversa gravada, o embaixador a José Affonso. O “cara” era Miranda, que negou tudo.

No caso dos precatórios, o senador foi citado como defensor dos interesses de Paulo Maluf e Celso Pitta, ex-prefeitos de São Paulo. Em troca, teria direito a ingerências na prefeitura na gestão Pitta.

Quando rompeu com o marido, Nicea Pitta citou Miranda. “Ele pressionava o Celso para que a prefeitura pagasse as dívidas da OAS, construtora do genro de Antonio Carlos Magalhães”, mantém Nicea até hoje.

O último imbróglio envolvendo Miranda foi o chamado dossiê Cayman – papelada falsificada sobre suposta empresa e depósitos em paraísos fiscais que seria uma sociedade entre os tucanos Sérgio Motta e Mario Covas, além do ministro José Serra e do presidente Fernando Henrique.

O dossiê começou a circular, clandestino, no fim da campanha eleitoral de 1998. Só veio à luz depois da eleição de Fernando Henrique. As primeiras citações a Miranda registram um suposto encontro com o advogado Marcio Tomaz Bastos, representante do PT (e ex-Ministro da Justiça do presidente Lula), quando teria exibido o dossiê.

O advogado teria convencido a direção do partido a não usar a papelada e teria prometido segredo sobre o encontro com Miranda, que negou qualquer envolvimento.


Em 2007, Gilberto Miranda se casou com a estilista Caroline Andraus Lane – sócia da grife de moda praia Beach Couture –, numa festa de arromba.

Os padrinhos eram ilustres personagens do cenário político nacional, como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana Sarney, acompanhada pelo marido, Jorge Murad.

Entre os 300 exclusivíssimos convidados, o publicitário e apresentador Roberto Justus e a atriz Ticiane Pinheiro, a estilista Cris Barros, a modelo Mariana Weickert, o publicitário Nizan Guanaes e a empresária Donata Meirelles, o cantor Paulo Ricardo e a arquiteta Raquel Silveira e Marina Mantega, filha do ministro da fazenda Guido Mantega.

Naquele mesmo ano, a Fundação José Sarney recebeu R$ 300 mil de uma empresa de fachada, a KKW do Brasil, que representa duas “offshores” (firmas no exterior), com sedes na Inglaterra e no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Apesar de ter capital social de R$ 80 milhões (cifra de uma empreiteira de grande porte), a KKW não tem negócios visíveis, site ou sede própria.

Seus endereços e telefones correspondem aos da casa e do escritório de Gilberto Miranda em São Paulo, onde funcionam outras firmas atribuídas ao ex-senador, igualmente registradas (integral ou parcialmente) em nome de “offshores”.

As “offshores”, em especial as que têm sede em paraísos fiscais, são costumeiramente usadas para repatriar dinheiro que deixou o país de forma ilegal, em regra via doleiros.

Resumo da ópera: às vezes, ser um simples massagista pode transformar alguém em bilionário da noite pro dia. Basta que ele obtenha os contatos certos na hora certa. Comecem a aprender shiatsu, homeboys!

Gilberto Miranda - Porto Privativo

O notório Gilberto Miranda, ex-senador e empresário próximo de José Sarney, está empenhado em emplacar Ênio Soares na presidência da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Soares é atual chefe de gabinete de Fernando Fialho, atual número 1 da Antaq e indicado de Sarney.
Há duas semanas, um jantar em Brasília reuniu essa turma e Pedro Britto, ex-ministro dos Portos e hoje diretor da Antac, também ligado a Miranda. Discutiram o novo plano de expansão do Porto de Santos, que pode contemplar Gilberto Miranda com um porto privativo.

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/tag/gilberto-miranda/

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Adalberto Jr. fez fortuna emprestando a juros

O empresário Adalberto Salgado Júnior, de 49 anos, é apontado em Juiz de Fora como o homem de negócios mais bem sucedido da cidade. Ele chegou a ser dono da maior rede de postos de gasolina, mas fontes ouvidas pelo Estado contaram que 'Adalbertinho', como é conhecido, fez fortuna nos últimos 20 anos emprestando dinheiro a juros para empresários e comerciantes de tradicionais famílias de Juiz de Fora.
Salgado Júnior teria entrado no 'ramo' por influência do pai, no início da década de 1990. Atualmente, o foco de seus negócios é a área imobiliária. É considerado dono de boa parte dos imóveis localizados no centro comercial do município. Um influente político da região conta que é 'uma pessoa que está sempre buscando e obtendo bons negócios'. 'Mas o curioso é que ele não tem nenhuma grande empresa. Pelo menos que seja conhecida.'
Conforme moradores, o empresário costuma circular em carros de luxo, inclusive uma Ferrari. Apesar disso, é considerado discreto. Evita festas e eventos sociais, sendo mais visto em restaurantes. Em 2004, adquiriu uma cobertura na rua Rei Alberto, num prédio da região central, tido como o mais caro de Juiz de Fora, onde mora também o senador eleito e ex-presidente Itamar Franco (PPS-MG).
No Rio de Janeiro, Salgado Júnior é dono de um apartamento na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, que teria sido adquirido no ano passado da família Sendas. O imóvel estava sendo reformado para ser vendido. O preço: cerca de R$ 30 milhões. O prédio de 17 andares é considerado no mercado um dos mais caros da capital fluminense.
A relação de 'Adalbertinho' com o Panamericano também é conhecida na cidade. Pessoas ouvidas pela reportagem afirmaram que ele vinha capitaneando aplicações no banco de Silvio Santos, incentivando familiares, funcionários e outros empresários a fazer o mesmo.
Conforme pesquisa no Tribunal de Justiça de Minas, na comarca de Juiz de Fora, Salgado Júnior responde a processo de execução fiscal movido pela Fazenda do município. Ele e a mulher aparecem também como réus em quatro processos movidos pela Petrobrás Distribuidora contra postos de gasolina dos quais são sócios. Procurado, o empresário não foi localizado por telefone. No apartamento de Juiz de Fora, uma funcionária disse que não sabia informar seu paradeiro.